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Transtorno bipolar é umas das principais causas de incapacidade no mundo
Cerca de 140 milhões de pessoas convivem com a condição
Transtorno bipolar é umas das principais causas de incapacidade no mundo
Luan Sanchez
Por: Luan Sanchez Data da Publicação: 30 de março de 2024FacebookTwitterInstagram
Foto: Reprodução

No dia 30 de março, é celebrado o Dia Mundial do Transtorno Bipolar. Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, a data é referente ao aniversário do pintor holandês Vincent Van Gogh, que foi diagnosticado, postumamente, como provável portador da condição.

O objetivo da celebração é educar, sensibilizar e conscientizar a população mundial sobre os transtornos, que ainda são vistos como estigma. Cerca de 140 milhões de pessoas convivem com a condição, no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O transtorno bipolar tem alto impacto na vida das pessoas, sendo considerado uma das principais causas de incapacidade. A Tribuna conversou com a psicóloga Raphaela Machado, que deu explicações sobre o transtorno bipolar.

"Os principais sintomas precisam transitar entre episódios depressivos e episódios maníacos. Pra termos o diagnóstico de um transtorno, o paciente precisa transitar entre esses dois episódios. É necessário identificar sintomas depressivos, como perda de peso, apatia, agitação, cansaço, perda de energia, humor mais deprimido, perda de prazer nas atividades, sentimento de ansiedade ou culpa, diminuição da capacidade de pensar e se concentrar. Já os sintomas maníacos são: autoestima inflada, redução da necessidade do sono, pressão por falar, fuga das ideias. Então, basicamente, pra termos a configuração de um transtorno de humor bipolar, é necessário ter um ou mais episódios maníacos, ou mistos, acompanhados de episódios depressivos", disse a psicóloga.

Ela também ressaltou que o transtorno de humor bipolar é apenas um dos tipos de transtorno de humor. Raphaela destacou que o transtorno não pode ser chamado de doença, porque as doenças têm um quadro clínico bem definido. Já o transtorno pode ter causas adversas.

“Como é necessário haver essa transição, entre os dois cenários, de maneira muito marcada, o tempo de observação tem que ser maior. Por exemplo, o paciente pode não mostrar esse diagnóstico em seis meses. Talvez, o acompanhamento necessite ser feito durante um ano, um ano e meio, para que as minúcias consigam ser captadas. Além dessa demora, outros cenários podem acabar aparecendo, como transtornos de personalidade”, detalhou.

A psicóloga enfatizou que o tratamento é feito com medicamentos, indicados por um psiquiatra, e com acompanhamento psicoterápico. É um conjunto. O tratamento é longo, já que a fase maníaca e o humor deprimido precisam ser estabilizados.

“Nós, psicólogos, trabalhamos a parte comportamental, inicialmente, para evitar danos maiores, porque alguns pacientes se colocam em risco com muita facilidade. Eles podem se expor ao uso excessivo de drogas lícitas e ilícitas, a dirigirem em velocidades muito altas, a terem relações sexuais sem proteção... Feita a constatação de humor maníaco ou deprimido, é feito o encaminhamento a um psiquiatra”.

Já o psiquiatra Pedro Arcoverde relatou quais os procedimentos tomados pelos profissionais, em casos de transtorno bipolar.

“Um psiquiatra experiente vai orientar um paciente e a família, primeiro sobre a aceitação do transtorno e seu tratamento e, também, na identificação dos sinais de alerta que indicam início de uma crise. Ter um bom acompanhamento psicológico muitas vezes garante uma melhor psicoeducação sobre o transtorno e aprendizado em identificação precoce dos sinais de alerta”.

Ele explicou que, tendo um bom acompanhamento e tratando possíveis crises em fase inicial, a vida de uma pessoa com transtorno bipolar pode ser normal e produtiva. Porém, o contrário também costuma ser verdadeiro: não se cuidar pode levar a crises mais resistentes e um intervalo menor de período livre de episódios de depressão ou mania.

Pedro destacou que não existe uma causa única definida para o transtorno bipolar, e acredita-se que uma combinação de fatores aumenta a suscetibilidade para apresentar a condição. Porém, a grande maioria das pessoas não irá apresentar o transtorno. Só 2% a 4% da população tendem a apresentar o transtorno ao longo da vida.

A hereditariedade tem papel significativo, mas não exclusivo, podendo surgir em filhos de pais que não tiveram o transtorno. Um transtorno bipolar verdadeiro não pode ser adquirido, mas existem causas reversíveis de episódios de euforia, pelo uso de drogas psicoestimulantes, como crack e cocaína, por exemplo.

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