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PTB está em vias de ser refundado no Brasil
Sob o comando de Vivaldo Barbosa, partido quer retomar tradicionais bandeiras do trabalhismo
PTB está em vias de ser refundado no Brasil
Foto do autor Saulo Andrade Saulo Andrade
Por: Saulo Andrade Data da Publicação: 05 de dezembro de 2023FacebookTwitterInstagram
Imagem: Reprodução/Internet

Refundar as bandeiras do brizolismo, do trabalhismo e do socialismo. Uma das mais tradicionais siglas partidárias do país, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) está prestes a ser recriado, sob as bases ideológicas que deram origem à sua fundação, na Era Vargas. Na última sexta-feira (1º), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu o aval e as lideranças trabalhistas estão em fase de coleta de assinaturas para a agremiação, que já conta com um registro e um Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica.

O advogado e ex-deputado constituinte, Vivaldo Barbosa, é um dos idealizadores do projeto, que quer retomar “o que foi o trabalhismo e o PTB”.

“O trabalhismo foi o que de melhor aconteceu no Brasil. Vide a legislação trabalhista e a Previdência Social. Imagine hoje, o trabalhador brasileiro, sem aposentadoria nem salário-mínimo. Queremos retomar tudo que o foi feito de bom nesse país e, acima de tudo, a ideia do desenvolvimentismo”, ressaltou Barbosa.

Dissidências

Questionado sobre o atual racha no Partido Democrático Trabalhista (PDT) que, atualmente, no Ceará, testemunha a briga entre os irmãos Ciro e Cid Gomes, por conta do apoio ao governo do presidente Lula (PT), Vivaldo apontou que está recebendo “muitos contatos” de pedetistas interessados em ingressar no PTB.

“Estamos nos organizando em 22 estados. Vamos nos organizar em todos, para avançar no processo de coleta de assinaturas. O PDT foi muito desvirtuado: deixou de ser honesto, de ser trabalhista. Procuramos reviver o trabalhismo, retomar a luta de Brizola. Algumas pessoas se incomodam”, concluiu o ex-secretário da Justiça do governo de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro. 

Foto: Divulgação

 A empreitada de refundação do partido exige que sejam recolhidas 500 mil assinaturas. Prevê-se consegui-las num prazo máximo de dois anos.

Insatisfação

Integrante dos diretórios nacional, estadual e municipal (Niterói) do PDT, o jornalista e militante Osvaldo Maneschy é membro da Direção Nacional da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini. Ele afirma que, como assessor de imprensa do primeiro governo Brizola, em 1982, conhece “bem a trajetória” de Vivaldo.

“Vivaldo não é fundador do PDT. Na reunião de dezembro de 2003, quando Brizola reuniu o Diretório Nacional para discutir a saída do partido do primeiro governo Lula, por conta da política econômica do ex-ministro da Fazenda, Antônio Pallocci, e do então presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, Vivaldo, que tinha cargo na Petrorio, subsidiaria da Petrobras, encaminhou contra a sugestão”, recorda-se o jornalista.

Foto: Nani Góis/Alep

Para o ex-assessor do ex-governador do Rio, a história de Vivaldo Barbosa, agora, de “apropriar-se do PTB”, neste momento de “muita dificuldade”, por conta dos problemas com o PDT no Ceará, é inoportuna. “Ele [Vivaldo] não é o que poderíamos chamar de "trabalhista histórico". Nunca foi”, crava Maneschy.

Procurado, o presidente nacional do PDT, o atual ministro da Previdência de Lula, Carlos Lupi, não quis conceder entrevista.

Fusão

A refundação do PTB ocorre menos de um mês após seu fim, por conta da fusão com o Patriota. A legenda era, até há pouco tempo, comandada pelo ex-deputado de extrema direita Roberto Jefferson, preso em 2022, após atirar e lançar granadas contra policiais federais que tentavam realizar uma operação na casa dele.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Fundado em 1945 pelo ex-presidente Getúlio Vargas, o PTB foi extinto na ditadura militar. Com o fim dos anos de chumbo, foi refundado em 1980 pela sobrinha-neta de Getúlio, Ivete Vargas, que travou uma batalha judicial com Brizola pelo comando do partido.

Foto: Divulgação/PDT-RS

Naquela época, o TSE deu ganho de causa a Ivete por entender que ela fez o registro de criação da sigla, antes do ex-governador do Rio e do Rio Grande do Sul. Em resposta, Leonel Brizola chegou a chorar em frente às câmeras e rasgou uma folha em que estava escrito “PTB”, partido que, agora – diferentemente do verde-amarelo –, tende a reassumir sua antiga estética: a bandeira em suas cores originais (vermelho, branco e preto), com a nomenclatura da sigla no meio.

"O verdadeiro herdeiro do trabalhismo, Leonel Brizola, depois de rasgar a folha de papel com a sigla PTB escrita, chorou  - e continuou a sua luta política, como verdadeiro herdeiro do legado de Getúlio Vargas, fundando o PDT. Sigla e legado  que Vivaldo, por oportunismo hoje, como Golbery e Ivete Vargas no passado, quer jogar no lixo. É disso que discordo radicalmente em respeito a memória de Leonel Brizola. Qual a autoridade moral e política de Vivaldo para "refundar" o trabalhismo? Ou oportunismo na politica deixou de ser o que é,  oportunismo?", questiona Maneschy..

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