Imagem Principal
Imagem
Participação do setor cultural na economia caiu em uma década
Número de empresas do ramo até cresceu, mas não acompanhou o restante dos setores
Participação do setor cultural na economia caiu em uma década
Foto do autor Redação Redação
Por: Redação Data da Publicação: 01 de dezembro de 2023FacebookTwitterInstagram
Fonte: Reprodução

Em uma década, o número de empresas do setor cultural cresceu 3,1%, chegando a 387,5 mil em 2021. Porém, no mesmo período, o total de organizações do país aumentou 12,1%. Isso explica a perda de participação das atividades culturais no total de empresas do país, passando de 7,3% em 2011 para 6,7% em 2021.

Os dados fazem parte do Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC) 2011-2022 e foram divulgados nesta sexta-feira (1º) pelo IBGE.

Além de dados sobre o mercado de trabalho e investimentos na área, o estudo traz informações sobre o acesso da população a equipamentos culturais.

Em 2021, mais de três quartos dos 2,1 milhões de pessoas ocupadas no setor cultural (75,7%) eram assalariados. Os salários pagos somaram R$83,3 bilhões, o que equivale a um salário médio mensal de R$4.135. Esse número é 26,6% superior à média dos salários levantados pelo Cadastro Central de Empresas (Cempre), uma das fontes do estudo.

“A maior remuneração é explicada pelo fato de o setor cultural ter mais pessoas com nível superior e, de maneira geral, com mais qualificação em relação ao total dos setores”, comenta o analista da pesquisa, Leonardo Athias.

Segundo a pesquisa, apenas 38,9% das empresas pertencentes ao setor cultural sobreviveram ao quinto ano de vida.

O estudo trouxe ainda dados da Pesquisa Industrial Anual-Empresa (PIA) Empresa, da Pesquisa Anual de Comércio (PAC) e da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) para entender a importância do setor cultural na economia. Nessas pesquisas estruturais, são selecionadas menos atividades e tipos de empresas do que no Cempre. Nesse contexto, em 2021, foram estimadas 246,8 mil empresas associadas ao setor cultural, que ocupavam 1,8 milhão de pessoas.

As empresas do setor apuraram R$740,8 bilhões em receita líquida, ou 5,8% do total gerado por todas as atividades. Houve retração de 2,1 p.p nessa participação entre 2011 e 2021.

A participação do setor cultural no valor adicionado (VA) também caiu nessa década: em 2021, foram gerados R$287,9 bilhões em VA, ou 8,0% do total. A queda de participação nesse período foi de 2,8 p.p.

De acordo com o estudo, essa queda da participação da cultura no valor adicionado total da economia, de 10,8% para 8,0% na década, teve como marco o período da pandemia de Covid-19. De 2011 a 2019, a participação havia recuado 1,3 p.p. Nos anos seguintes, entre 2019 e 2021, a perda acelerou, com recuo de 1,5 p.p. no período.

De acordo com a PNAD Contínua, havia 5,4 milhões de pessoas trabalhando na cultura em 2022, ou 5,6% da população ocupada do país. Com o impacto da pandemia de Covid-19 nas atividades culturais, o número de postos de trabalho da área caiu, chegando a 4,9 milhões em 2020 e 5,0 milhões em 2021. Foi 2021 o ano em que o setor cultural chegou à menor participação da série histórica na ocupação total do mercado de trabalho (5,5%).

Em 2022, com um aumento de cerca de 9,9% no número de ocupados, voltou a um patamar próximo a 2019. Tanto em 2019 quanto em 2022 havia cerca de 5,5 milhões de pessoas trabalhando no setor.

Relacionadas