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Não é impressão, a América Latina é muito louca mesmo
Em que outro lugar um rei faria o funeral da própria perna? Ou um presidente que mandasse o povo criar galinhas dentro de casa para minimizar a fome? Ou o ex-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Paes de Andrade, fez num milionário comboio aéreo de 11 aviões só para inaugurar uma agência bancária em sua cidade natal?
Não é impressão, a América Latina é muito louca mesmo
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Por: Redação Data da Publicação: 03 de junho de 2024FacebookTwitterInstagram
Divulgação

O experiente jornalista Ariel Palacios, profundo conhecedor dessa pândega chamada de América Latina, monta em seu livro um rico e divertidíssimo mosaico dos países que compõem a América Latina, reunindo toda a gama de absurdos, abusos, loucuras e atos nonsense protagonizados por monarcas, ditadores, presidentes e até mesmo líderes religiosos com alguns (ou muitos) parafusos a menos, uma espécie que parece se proliferar aos borbotões abaixo e nos arredores da linha do Equador.

Ao longo de 448 páginas, “América Latina: O cringe, o bizarro e o esdrúxulo de presidentes, ditadores e monarcas dos vizinhos do Brasil”, traça a trajetória torpe, quase bêbada (mas é tudo verdade),dos países latino-americanos.

Uma América repleta de crises sociais, golpes, violência e corrupção, tudo isso regido por líderes excêntricos que se perpetuaram ― ou tentam se perpetuar ― no poder, exaltando o culto à personalidade e comportando-se como se fossem meninos mimados que se apegam ao poder com unhas e dentes, custe o que custar.

De forma envolvente e perspicaz, Ariel narra inúmeros causos peculiares estrelando personagens marcantes que vão de Evita e Juan Domingo Perón a Nicolás Maduro, passando pelos ditadores do vodu haitiano Papa e Baby Doc; o malfadado imperador do México Maximiliano de Habsburgo; o monstruoso ― e medroso ― Alfredo Stroessner, o verborrágico Fidel Castro, entre muitos outros. 

O jornalista inclui ainda figuras que tomaram de assalto os noticiários nos últimos anos, como o descacetado Javier Milei; o resiliente presidente da Guiana Irfaan Ali e o CEO de Deus na Terra Mario Bergoglio, mais conhecido como Papa Francisco.

“América Latina lado B” une a pena afiada e o rigor jornalístico de um dos maiores conhecedores da América Latina e de todas as suas insanas peculiaridades.

Por exemplo:


O presidente que demitiu Papai Noel

Ex-presidente do México, Pascual Ortiz Rubio foi eleito em 1930 graças a um dilúvio de fraudes nas urnas. Na realidade, era um político sem carisma, sem poder e sem inteligência. 

Pouco antes do Natal daquele ano, em novembro, o ministro de Educação Pública, Carlos Trejo y Lerdo de Tejada, se reuniu com o presidente Ortiz Rubio e lhe propôs dar uma guinada mais nacionalista para o Natal. A ideia era proibir a figura de Papai Noel, que era estrangeira, e substituí-la pela figura de Quetzalcóatl, um dos deuses da mitologia mexicana. Para ser mais específico, uma deidade olmeca, maia e asteca, que é representada como uma cobra com penas. Rubio demitiu Papai Noel.

O general que morreu sentado na privada

Um óbito que entra para os anais da história.

Muitos generais morrem em campo de batalha, outros são assassinados em revoluções e golpes de Estado. Alguns morrem na placidez do leito em suas casas dizendo, com seu último suspiro, alguma frase patriótica retumbante. 

Mas o ex-general e ex-ditador da Argentina, Jorge Rafael Videla, morreu no vaso sanitário de sua cela. Ali, o outrora todo-poderoso ditador, com as calças do pijama arriadas, bem longe da pose militar, foi encontrado pelos guardas, que o viram sentado, reclinado para a frente, ao lado do rolinho de papel higiênico.

Marcha para afugentar o vírus da Covid 19

Os cientistas nicaraguenses alertavam sobre o perigo da pandemia de 2020. 

No entanto, o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, negou a epidemia, dizendo que era um exagero dos jornalistas. Mas, com os primeiros contágios surgindo no país, Ortega mandou organizar uma mega manifestação de seus militantes nas ruas de Manágua contra a entrada da pandemia. 

A marcha reuniu dezenas de milhares de pessoas que se acotovelaram — causando uma imensa aglomeração em plena pandemia.

Fidel Castro e o discurso que durou 12 horas

O ditador de Cuba, Fidel Castro, ficou famoso por fazer discursos longuíssimos, dignos de entrar no Guinness Book. Em 1968, em Havana, fez um que durou doze horas — com apenas um brevíssimo break. 

No dia 26 de setembro de 1960, na sede da ONU, em Nova York, ele bateu o recorde de duração de discursos da organização ao falar durante 4 horas e 29 minutos. 

Paradoxalmente, ele iniciou esse discurso da seguinte forma: “Embora eu tenha fama de falar muito, não se preocupem. Faremos todo o possível para ser breve”.

 

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