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“Irmã do John Lennon quer vir na Beatleweek
Jéssica Abreu e Rodrigo Bessa levam o nome de Niterói pelo mundo à bordo de seus projetos. Eles conversaram com A TRIBUNA
“Irmã do John Lennon quer vir na Beatleweek
Foto do autor João Eduardo Dutra João Eduardo Dutra
Por: João Eduardo Dutra Data da Publicação: 09 de junho de 2024FacebookTwitterInstagram
Fotos: Divulgação

Niterói, Rio, Visconde de Mauá, Londres, Liverpool. O mundo dos produtores Jéssica Abreu e Rodrigo Bessa não tem fronteiras. 

Com muita experiência e expertise, eles vêm agitando a cena cultural de Niterói, Brasil e exterior através da Bessa Realizações, que nasceu da união de suas paixões por eventos e música.

Rodrigo é engenheiro de produção por formação e começou sua caminhada no meio cultural organizando chopadas na faculdade. 

Na pandemia, decidiu abandonar a engenharia e se dedicar exclusivamente à produção de eventos. 

Já Jéssica é natural de Fortaleza, Ceará e é artista desde criança. Agora, casada com Rodrigo, os dois se dedicam a levar o nome de Niterói para o Brasil e para o mundo.

Eles são os representantes oficiais da Beatleweek, mega festival sobre os Beatles que lota várias cidades do mundo. 

Aqui na cidade, a Niterói Beatleweek em 2019 espalhou dezenas de palcos em vários bairros com 174 shows e foi considerado o melhor evento cultural de rua dos últimos tempos, mobilizando centenas de pessoas, alavancando o comércio e o turismo. 

Na próxima, eles querem trazer a irmã de John Lennon, Julia Bird.

A empresa, anteriormente chamada de MB Pro, é responsável por iniciativas como o "Arte das Ruas" e o "Mauá Blues", além de ter lançado a "Beatleweek" inspirada no famoso festival de Liverpool. 

Esporte e cultura 

Rodrigo explica que "era uma empresa de esportes do meu irmão (Junior Bessa). Por eu estar investindo no ramo cultural decidimos fazer esporte e cultura. São coisas que se comunicam muito. 

"O nosso trabalho é fazer projetos interativos, cultura e esporte. 

A gente está começando a amarrar isso junto com o Canto do Rio, com a parte desportiva, futebol, show".

Vocês levaram o nome de Niterói para fora da cidade. Como tem sido essa recepção?

Jéssica- É maravilhosa. Niterói é uma cidade acolhedora. Quando a gente viaja para outro estado ou até para outro país, levando o nome da cidade, tem muita aderência lá fora. 

Em geral, as pessoas se imaginam aqui. Quem ainda não veio fica com o desejo de vir, pensando, “quantos músicos na cidade, quantas bandas, quantas coisas acontecendo, como a cidade é bonita, como deve ser legal morar aí, como deve ser legal estar aí”. De fato cria esse desejo nas pessoas de virem visitar.

Mesma coisa o contrário, quando a gente traz um artista de fora. Eles vivem a mesma experiência, é sempre muito agradável.

É legal porque a gente se sente promovendo o nome da cidade, movimentando não só o turismo como a economia. 

E tudo isso e dando oportunidade também para as pessoas daqui se catapultarem e mesmo para tudo o que acontece fora daqui.

Rodrigo - O artista que vem de fora pode conhecer de nome, mas geralmente não conhece Niterói. Quando chega aqui, ele se sente muito bem acolhido. 

Ele adora a população de Niterói, adora o público, adora estar aqui, adora o grupo de artistas que ele conhece. É um intercâmbio cultural que acontece com muita intensidade.

Como está o fluxo de novos talentos em Niterói?

Rodrigo - Niterói é um celeiro de artistas. Sempre foi, historicamente. Mas eu ainda acho que falta projetar esses artistas lá fora. Levar para fazer shows em outros lugares, expor para o resto do mundo.

Tirar um pouco o artista do Theatro Municipal, da Sala Nelson Pereira, que são ótimos, importantíssimos para ele criar a base dele na cidade, mas ele precisa estar fora de Niterói. Eu acho que falta um pouco dessa promoção do artista.

Quais projetos vocês têm mantido?

Rodrigo- Lançamos um novo xodó que é o Arte das Ruas, um projeto de artes urbanas que mistura grafite com batalha de rimas, com dança, com flashmob, com artesanato, música autoral. 

Tudo misturado no mesmo lugar, acontecendo ao mesmo tempo. Nós já fizemos duas edições, uma em Maricá, com edital local, e uma em Niterói, com o edital do Estado. Infelizmente, no edital da cidade a gente não passou com esse projeto.

Jéssica- Ele é aderente em qualquer lugar. Então a gente não fica preso em nenhuma cidade. Apesar de a gente ter feito em Niterói e Maricá e ter sido um sucesso, podemos fazer em qualquer lugar do Brasil ou do mundo. Ele tem essa característica de ser para metrópole.

Além do Arte das Ruas, a gente está fazendo o “Mauá Blues”, um festival de blues lá em Visconde de Mauá, no Espaço Multicultural Vale Criativo, da família Gracindo, que é tradicional de teatro. 

No dia 6 de julho, a gente também faz o aniversário da banda “Um Amor”, no Canto do Rio, dez anos da banda. Então tem muita coisa pela frente.

Os gestores culturais de Niterói têm apoiado os seus projetos?

Rodrigo - Hoje a gente não tem muito apoio da prefeitura. A gente gostaria de ter, achamos que sempre trabalhamos corretamente. 

Todos os eventos que fizemos na cidade entregamos com louvor, 99% de satisfação do público. Temos potencial para apresentar os projetos na cidade. Mas, infelizmente, hoje não temos.

Jéssica- A prefeitura talvez não nos enxergue ainda com o potencial que a gente de fato tem. Mas isso é um canal de comunicação que talvez a prefeitura não tenha, em termos de ouvir o produtor. 

Eles fazem um movimento muito bonito de ouvir o artista. Eles chegam diretamente no artista, mas e o produtor? É um agente cultural da cidade também que merece um olhar carinhoso.

Muitas coisas são feitas na área cultural. Eu aplaudo tudo que é feito nesse sentido. Eu acho que é natural do poder público ter esse olhar direto para a pessoa física, mas quem está por trás disso fica um pouco esquecido. 

Então, o apoio que a gente tem da prefeitura são as aprovações quando a gente inicia um movimento por conta própria, mas nunca uma ação para entender o nosso lado.

Qual é o papel do Estado na evolução cultural da cidade?

Rodrigo - Um jargão da Secretaria das Culturas de Niterói diz que “cultura é um direito". Como a saúde, como educação, como saneamento, como habitação, a cultura tem que entrar nessa obrigação do Estado de aportar, de fomentar, de investir, de distribuir essa verba para a cultura também.

Fazer cultura vendendo ingresso e salgadinho na festa é muito complicado. A estrutura é cara, o artista merece respeito, o técnico de som, o iluminador, o carregador, é uma rede gigantesca que a cultura movimenta para a economia e sem o fomento do governo ou de patrocinadores é muito complicado de ser feito. Mas a gente faz.

Jéssica - A gente entra no risco, a gente mata no peito, é assim que acontece. Mas poderia ser mais fácil. O governo tem que ser protagonista junto com o fazedor de cultura.

Há poucos anos vocês fizeram a “Niterói Beatleweek”, que mobilizou a cidade inteira. Como nasceu essa ideia?

Jéssica - A Beatleweek é um projeto inspirado no que acontece lá em Liverpool, no Cavern Club, há mais de 30 anos. 

Depois que o Cavern Club fechou e foi reaberto, ele iniciou esse movimento de tributo aos Beatles com uma semana inteira dedicada a eles.

Nós somos muito fãs dos Beatles, conhecemos o festival pessoalmente em 2012 e entendemos que ele funcionaria muitíssimo bem em Niterói. 

Que essa ideia de você ter um tributo a uma banda, mas com versões diferentes daquela música que você já está acostumado a ouvir e espalhado por toda a cidade, que é exatamente o que acontece lá. 

Você tem um palco principal, e quase todos os pubs da cidade com esse movimento da “Beatlemania”. Foi o que a gente tentou trazer pra cá.

A primeira vez que a gente fez em Niterói foi em 2017. A gente só tinha dois palcos na orla de São Francisco. Deu muito certo. 

Em 2018, a gente já cresceu para outros lugares da cidade e em 2019, de fato, foi o maior de todos. A gente conseguiu botar nove palcos. Foi uma semana inteira de eventos. 

Temos sempre vontade de fazer em Niterói, mas para o filho crescer, ele tem que sair de casa.

Rodrigo - Em 2019, fizemos 174 shows na cidade, com 74 bandas em nove palcos, em uma semana, sem atrasar nem um minuto, nem um show. Esse é o trabalho do engenheiro de produção de logística.

Até o momento, a Beatleweek aconteceu em Niterói e no Rio, mas a gente está sempre aberto para ir para outros lugares, a gente vai até o Japão.

Em 2022, nós montamos um palco da Beatleweek Brasil dentro do Cavern Club, no Festival de Liverpool, com uma curadoria nossa, com artistas de Niterói. Isso é intercâmbio cultural na veia.

Há um rumor que a irmã do John Lennon pode vir em uma próxima edição da Beatleweek. Quais são os próximos passos do festival?

Jéssica - A gente está sempre pronto. Muito provavelmente vai acontecer, mas ainda sem local confirmado. Habitualmente acontece no fim do ano porque tem outros festivais acontecendo ao redor do mundo, então a gente encaixa no calendário até por disponibilidade de fãs e artistas.

A irmã do John Lennon, Julia Bird, virou uma amiga pessoal nossa, a gente conheceu ela lá em Liverpool. E desde então a gente tem cultivado esse carinho mútuo. 

Ela tem muita vontade de vir a Niterói para o nosso festival, mas ela já sabe que se não for em Niterói, pode ser em outra cidade, porque ela tem vontade de conhecer o movimento. 

Ela entende que o movimento que a gente consegue fazer aqui é muito parecido com o que eles têm lá. Então é possível que ela venha, mas vai depender que a gente consiga o recurso para isso.

Deem um panorama sobre a cultura de Niterói e do Rio. O que dá certo hoje? O que pode melhorar?

Jéssica - Sempre pode melhorar. O que poderia melhorar seria uma distribuição mais democrática da verba que é que existe na pasta. A forma como é feito hoje não é muito democrático na nossa visão.

Rodrigo - O edital é o melhor caminho, porque apesar de ser burocrático, ele consegue te pontuar referências técnicas para que você seja aprovado. Aqui em Niterói tem alguns editais, mas ainda está bem distante do que é o Rio.

E eu acho que tem que descentralizar. Tem que fazer Beatleweek no Barreto, no Fonseca, no Engenho do Mato. 

A gente tem que espalhar os palcos na cidade. Claro que vai ter um palco principal, onde o público é mais aderente, mas tem que atender todas as partes.

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