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Em 48h, prefeito em exercício acaba com a segunda cracolândia em Niterói
Grupo de trabalho criado pelo vice-prefeito Paulo Bagueira removeu ponto de uso de drogas que tomou a Praça da República
Em 48h, prefeito em exercício acaba com a segunda cracolândia em Niterói
Foto do autor Pedro Menezes Pedro Menezes
Por: Pedro Menezes Data da Publicação: 21 de outubro de 2023FacebookTwitterInstagram
Fotos: Divulgação/PrefDeNiterói

Como podia uma cracolândia localizada numa praça em frente à Câmara de Vereadores, à uma delegacia e à uma biblioteca? Essa era a pergunta que faziam pedestres, comerciantes a até síndicos de prédios, sobre a situação que se encontrava a Praça da República.

Por conta disso, nessa sexta-feira (20), uma "força-tarefa" da Prefeitura de Niterói fez a retirada das pessoas em situação de rua, justamente, na Praça da República.

O grupo de trabalho foi criado após decreto do prefeito em exercício, Paulo Bagueira (Cidadania), e realizou um serviço de abordagem social à população vulnerável.

Essa é a segunda ação seguida do gênero realizada no município. Ontem, equipes da prefeitura acabaram com a cracolândia na esquina da Rua Silvestre Rocha com a Avenida Roberto Silveira, em Icaraí.

Ao longo dos últimos meses, a Praça da República começou a lotar de pessoas em situação de rua e usuários de drogas, que utilizaram o local de moradia improvisada, e afastavam qualquer pedestre da região. Com a grande onda de pessoas em situação de rua no Centro e na Zona Sul da cidade, a cracolândia cresceu e passou a ocupar até as janelas e a fachada da Biblioteca Parque.

Situação insustentável

A condição precária em que vivem preocupa humanitariamente, e também aflige a segurança da população que passa pelo local.

Há muito tempo, o jornal A TRIBUNA acompanha a situação das cracolândias em Niterói. Nesta semana, um prédio comercial foi invadido e saqueado na Avenida Amaral Peixoto. A proprietária de uma loja, Flavia Loureiro, perdeu R$ 10 mil em mercadorias roubadas.

O síndico do Edifício Metrópole, João Antunes, clamou por uma solução à curto prazo pois a "situação da Amaral Peixoto está insustentável.

Mês passado, estudantes relataram à nossa reportagem que desviavam do local na ida à faculdade para evitar passar pelas proximidades da Praça da República.

Ou seja, o dia a dia de quem vive, ou frequenta o Centro e Zona Sul de Niterói estava sendo afetado diretamente pela existência dessa cracolândia.

Declarações

Alguns vereadores estiveram presentes na ação, como Fabiano Gonçalves (Cidadania).

"O decreto que foi publicado no Diário Oficial ontem foi de grande importância. Agora, equipes da prefeitura estão fazendo a abordagem que tem que ser feita pois a situação estava calamitosa, pois esse equipamento (a praça) aqui é público. Eu presenciei pessoas fazendo uso de entorpecentes. Inclusive crianças. A gente quer que essas pessoas sejam amparadas", disse Fabiano.

Já Douglas Gomes (PL), declarou que irá fiscalizar para que esse trabalho continue sendo feito, mas é importante que se volte à normalidade

"Nós tínhamos aqui um ponto de uso e ponto de venda de drogas, que a gente já vem cobrando há bastante tempo. A prefeitura, somente agora, na data de ontem, emitiu um decreto criando um grupo de trabalho, fazendo aqui não somente a limpeza, mas também o recolhimento voluntário dessas pessoas que querem ir para os abrigos. Então hoje a gente tem aqui uma praça totalmente limpa, um ambiente melhor, revitalizado, e agora o nosso papel é cobrar para aqui, que ela permaneça dessa forma", declarou o parlamentar do PL para A TRIBUNA.

Trabalho feito

As equipes de abordagem social especializada trabalhavam na sensibilização e convencimento da população em situação de vulnerabilidade social, pois a legislação brasileira não permite o acolhimento compulsório. 

Funcionários da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) realizaram a limpeza da praça e das dependências da biblioteca, bem como a Guarda Municipal realizou a segurança, e a Secretaria de Saúde deu apoio com duas ambulâncias de prontidão.

Segundo a prefeitura, além da abordagem social, foram oferecidos serviços socio assistenciais, como atendimentos dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps); odontológicos; e de equipes de redução de danos, com trabalho junto a usuários de álcool, crack e outras drogas.

Alívio em Icaraí

Há dois anos, usuários de drogas transformaram um imóvel abandonado, na esquina da Rua Silvestre Rocha com a Avenida Roberto Silveira (na saída do túnel Raul Veiga), numa grande cracolândia. Tanto tempo, que chegou ao cúmulo de pertencer ao cenário da região. A "cracolândia próxima ao Túnel Raul Veiga" é um ponto que qualquer morador ou frequentador da Zona Sul de Niterói conhece, e se pudesse, evitaria.

Na correria diária, A TRIBUNA flagrou, nessa sexta-feira (20), pedestres, que agora, andam tranquilamente pelo local. Amanda, moradora de Icaraí, conta que os pedintes costumavam pedir dinheiro.

"Muitos contam histórias tristes para sensibilizar a gente. Mas tem aqueles passivo-agressivos, né. O cara pede dinheiro para gente com um pedaço de pau na mão. Ele não está roubando, mas tá sendo agressivo. Aí a gente dá o dinheiro. O fim da cracolândia é bom, tomara que não volte mais, mas ainda falta pra situação melhorar de verdade", relata a moradora, sobre a maneira como eles costumavam abordar os pedestres.

Dois imóveis abandonados foram apropriados para que a cracolândia fosse instaurada em suas calçadas. Em um deles, funcionava uma antiga loja de roupas e fantasias, popular em toda a cidade. Os usuários costumavam ficar nas calçadas, onde improvisavam barracos e fogueiras. Mesmo após a retirada dos usuários, dá para perceber as marcas de abandonos nos dois imóveis.

Um deles está completamente pichado e com muito lixo onde deveria ser um jardim, proveniente de pessoas que inacreditavelmente, moravam ali. O outro possui rastros de fogo em paredes, provavelmente o local onde eles improvisavam uma cozinha.

"Isso aqui estava terrível. Todo mundo via essa situação e ninguém fazia nada. Era o cenário normal. Agora... resta saber se isso vai durar. Andar com tranquilidade nas pelas ruas não tem igual", disse Alisson, morador que praticava exercícios na Avenida Ary Parreiras, e com pressa, agradeceu à reportagem.

Os guardas municipais no local informaram que a segurança irá continuar na região. Fato que foi corroborado pela Secretaria Municipal de Ordem Pública "montamos um esquema especial de ronda para o entorno e, num primeiro momento, manteremos equipes no local", foi informado em nota.
Para A TRIBUNA, comerciantes da região declararam que eles sujavam a região. Além disso, os clientes sentiam medo, pois eram usuários de crack.

Solução final?

Porém, vale ressaltar que das 16 pessoas que foram abordadas pelos profissionais, nenhuma quis ficar nos abrigos da prefeitura. Niterói conta atualmente com mais de 350 vagas de acolhimento na cidade, com 70% de ocupação.

Alisson demonstrou descrença com o fim da situação de vulnerabilidade de Niterói. "O buraco é muito mais embaixo", disse o popular.

Em abril, para A TRIBUNA, o Secretário de Assistência Social e Economia Solidaria de Niteroi, Elton Teixeira, afirmou que a solução seria a geração de empregos.

“A solução é o Brasil crescer e voltar a gerar emprego e termos mais oportunidades para as pessoas, essa é a solução médio a longo prazo. A solução de curto prazo é o que a prefeitura vem fazendo, intensificando cada vez mais as ações integradas, com o pessoal da ordem pública e a própria Clin, ofertar o acolhimento e o serviço de volta pra casa, para saírem da rua”, disse.

Essa é a mesma solução que sugeriu João Antunes, o síndico do Edifício Metrópoles, saqueado nessa semana.

"Tem que ser feita alguma coisa que dê uma atividade para eles, que dê um ganho para eles, dê algum local para eles. Um trabalho. Eu acho que a única maneira de solucionar isso", disse.

Sobre o motivo pelo qual as pessoas em situação de rua não querem permanecer nos abrigos, a prefeitura informou apenas que "trabalhamos na sensibilização e convencimento da população em situação de vulnerabilidade social, já que a legislação brasileira não permite o acolhimento compulsório".

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