Cultura japonesa resiste em Niterói através do beisebol
O esporte mais popular nos EUA, chegou a Niterói através do Japão. Em mais uma reportagem da série sobre as novas modalidades olímpicas, hoje vamos desmistificar o esporte das rebatidas
Cultura japonesa resiste em Niterói através do beisebol
Foto do autor João Eduardo Dutra João Eduardo Dutra
Por: João Eduardo Dutra Data da Publicação: 06 de Novembro de 2023FacebookTwitterInstagram
Foto: ANN/Reprodução

Continuando a série que A TRIBUNA está promovendo sobre a prática das novas olímpicas no Brasil e em Niterói, hoje falaremos um pouco sobre o beisebol.

Todo brasileiro provavelmente já teve algum contato com esse esporte através de filmes norte-americanos - e não entendido nada das regras -, porém, é o mais popular do Japão, e por conta disso, é forte nas comunidades japonesas aqui no Brasil. Por isso, uma certa estrutura já existe.

Mas ao contrário do que pode parecer, o beisebol é muito praticado em todo o planeta. É o mais popular em locais como Venezuela, República Dominicana, Porto Rico, Cuba, Coreia do Sul e Taiwan.

Além disso, campeonatos que lotam estádios também no México, Colômbia e Panamá. Na terra do Tio Sam, a modalidade tem mais de 100 anos de liga organizada.

No Brasil, o COI estima que mais de 30 mil atletas praticam a modalidade espalhada por 120 times no território nacional. No pan-americano de Santiago, neste ano, a seleção brasileira conquistou uma medalha de prata histórica, batendo países como Cuba e Venezuela.

Everton Vasconcelos, fundador da página "Beisebol Mundo Afora", conta que se aproximou do beisebol por conta de uma paixão que ele tem por esportes americanos, porém começou a acompanhar de verdade após o arremessador brasileiro André Rienzo sair da liga americana e ir jogar no México.

“Eu percebi como o beisebol é diferente, em diferentes partes do mundo, tem uma relação cultural com o povo do país, com a população. Eu fui conhecendo essas características, essa curiosidade de pesquisar sobre o esporte. Foi quando eu fui me apaixonando por essa cultura que o beisebol tem”, relata Everton, que além de assistir, hoje em dia também pratica o esporte.

O “passatempo da América” já entrou e saiu várias vezes do cenário olímpico. Seu objetivo é pontuar batendo com um bastão em uma bola lançada e depois correr pelas quatro bases do campo.

“Para quem quer acompanhar, eu digo, se permita assistir aos poucos. No Beisebol Mundo Afora tem um manual, para iniciantes, bem interativo. O ideal é assistir aos jogos. Tem muito material brasileiro sobre beisebol, e você vai se apaixonar, porque é um esporte especial. Uma frase famosa é ‘como não ser romântico com o beisebol?’ Então é um esporte que conta muitas histórias também, é um esporte apaixonante”, diz Everton.

Logotipo do Beisebol Mundo Afora

O beisebol no Brasil

A medalha de prata nos jogos pan-americanos fez surgir muitos curiosos ao esporte. Falou-se bastante em como a seleção mescla atletas profissionais com amadores. Entre o elenco medalhista, de fato há jogadores que também são dentistas, serventes de pedreiro, chapeiros, analistas de TI, e outras profissões.

Mas no total, são apenas oito amadores no plantel de 24 jogadores. Há brasileiros atuando profissionalmente nos Estados Unidos, Japão, México, entre outros países.

Em terras tupiniquins, o jornalista Ubiratan Leal, do canal ESPN, conta que os principais clubes do Brasil estão em São Paulo e no norte do Paraná, mas também há uma grande comunidade do esporte no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso, em Belém.

“E depois, com o tempo, começaram a surgir clubes em outros lugares. Mas tem clubes que têm categoria de base e tem campeonatos que são disputados já há décadas”, explica Ubiratan.

O beisebol em Niterói

Boné do time do Nikkei de Niterói

Manter e passar adiante a tradição da cultura japonesa é o objetivo da Associação Nikkei de Niterói. A fundação cultural reúne famílias de descendentes japoneses que chegaram ao Brasil há mais de 100 anos.

A associação organiza eventos e cursos abertos ao público em geral, sempre relacionados à cultura nipônica e ao esporte, promovendo treinos de softbol, gateball e, claro, beisebol.

A equipe de beisebol da associação disputa diversos campeonatos pelo Brasil, além de ter dezenas de praticantes, sejam atletas ou apenas entusiastas. Erick Eiji Konigami é o capitão da equipe e membro da associação.

Envolvido com o beisebol há quase 30 anos, o jogador diz que foi atraído para o esporte através da tradição familiar, pois é nipo-descendente e vê no beisebol uma forma de manter a cultura de seus parentes, passando de geração para geração, de pai para filho.

Apesar disso, ele alega muita dificuldade para a prática de um esporte tão pouco difundido no Brasil.

Nikkei de Niterói em campo

“A prática de beisebol no Brasil é muito difícil, pois por incrível que pareça existe até um preconceito em relação a isso. O pessoal leva na piada, acha que é uma brincadeira, acha que é um esporte não muito sério. Porém, acho que isso está mudando um pouquinho, porque muitos brasileiros têm procurado times através das redes sociais e, inclusive, hoje no nosso elenco, nosso plantel de jogadores iniciantes, são 90% de brasileiros, o que há 10 anos atrás era impossível de imaginar. Se tivesse um ou dois era muito”, disse.

A equipe, atualmente, é a mais forte do Rio de Janeiro, com diversos títulos estaduais. Chegou a disputar a categoria nacional “Amador Avançado”, sendo a primeira equipe do Rio de Janeiro a participar dessa categoria. Ou seja, é o time a ser batido no estado.

Sobre a cultura japonesa no município, Erick explica que a Associação Nikkei de Niterói foi fundada em 1955, e também promove eventos culturais, como festas, danças e até aulas de língua japonesa.

“A cultura (japonesa) está diminuindo no Rio de Janeiro, porém em São Paulo ainda é muito forte, mas a gente luta aqui para manter a tradição. Inclusive, nosso time e nossa seção estão crescendo nesses últimos 5 anos, então acho que a tendência é melhorar agora”, disse.

A fundação mantém atividades organizadas pelos próprios associados com o objetivo de cultivar esses laços, e não possui fins lucrativos.

Autores: João Eduardo Dutra e Pedro Menezes

 

 

 

 

Relacionadas