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“Assalto não foi". Irmão de Cici Maldonado desconfia de crime político
Velório de vereador gonçalense reúne familiares, classe política e amigos
“Assalto não foi". Irmão de Cici Maldonado desconfia de crime político
Foto do autor Saulo Andrade Saulo Andrade
Por: Saulo Andrade Data da Publicação: 08 de novembro de 2023FacebookTwitterInstagram
Foto: Reprodução/Redes Sociais


Tristeza e consternação. O velório do vereador Aldecyr Maldonado, o Cici Maldonado (PL), como era popularmente conhecido no Porto da Madama, em São Gonçalo, reuniu, no Cemitério Parque da Paz, personalidades de diferentes espectros políticos, familiares e a população local, no que foi último adeus a um dos parlamentares mais atuantes daquele município.  

Irmão por parte de pai de Cici, Pedro Pereira Macedo se recorda dos tempos em que sempre pediu para o familiar “largar a política”, por ser uma atividade “muito complicada”.

“Ele (Cici) já fez comentário comigo, dizendo que já foi ameaçado. Eu dizia para ele parar com a política, procurar outro rumo. A política estava no sangue dele: sempre gostou de política, desde garoto. Deu no que deu, porque política é isso”, observou, com a voz embargada.

Foto: Saulo Andrade

Apesar de não ter certeza sobre a linha de investigação dada ao caso, Pedro tem “certeza” de que não se tratou apenas de uma assalto.

“Tenho certeza que não foi assalto. Acho que isso é um crime político”, ressaltou o irmão de Maldonado, ilustrando ainda que Cici foi assessor da ex-deputada estadual Graça Mattos e da ex-prefeita Aparecida Panisset.

“Ele sempre trabalhou com política. Já trabalhou também em bar e numa fábrica de sinuca. Mas a vida dele sempre foi construída na política. Era apaixonado por São Gonçalo: sempre morou aqui”, concluiu.

Investigação

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) investiga a morte do vereador de 61 anos, que presidia a Comissão de Obras da Câmara Municipal de São Gonçalo.

Em nota, a DHNSG disse que uma perícia foi realizada no local da morte e testemunhas foram ouvidas. Nenhuma hipótese é descartada.

“Diligências estão em andamento para apurar a autoria e a motivação do crime”, ressalta o texto.

Repercussão

Apesar de presentes no velório, o prefeito Nelson Ruas, o Capitão Nelson (PL), e seu filho, o deputado estadual Douglas Ruas (PL) - atual secretário de Estado das Cidades -, não quiseram falar com a imprensa.

O prefeito gonçalense lamentou a morte, em nota, nas redes sociais, afirmando que Cici “sempre foi um homem dedicado às demandas da população gonçalense”. Nelson está cobrando ações, junto ao governador Cláudio Castro (PL).

“Também entrei em contato com o governador Cláudio Castro e pedi empenho na elucidação do caso. Confio no trabalho da polícia para esclarecer os fatos. Que os responsáveis sejam identificados e punidos, levando justiça para a família do vereador e todos aqueles que o acompanhavam”, destacou.

Deputado estadual atuante em São Gonçalo, Josemar Pinheiro de Carvalho, o Professor Josemar (PSOL) percebe a questão da segurança como algo “muito problemático” na sua cidade e em todo o estado do Rio. 

 

Foto: Saulo Andrade

“A gente teve um assassinato de um vereador. Todos os dias, temos assassinatos, ao longo de todo o estado do Rio. Isso revela que a política de segurança não está atendendo às necessidades da população”, observou o parlamentar, reiterando a tristeza com o que ocorreu com o seu ex-colega de parlamento municipal.

“Tive a honra de ter sido vereador com ele, durante dois anos. Era uma pessoa que eu tinha todas as diferenças, mas sempre fizemos debates com muito respeito e tranquilidade. É uma perda para mim e todos que atuam em São Gonçalo, que esperam uma cidade melhor”, ressaltou o deputado, apontando a importância de a Polícia Civil elucidar o caso a contento.

“Nenhuma hipótese pode ser descartada. É um crime bárbaro. Vamos fazer contato com o comando da Polícia Civil, para que acelere as investigações. Vamos oficiar também o Governo do Estado, para que dê celeridade à resolução do caso”, reiterou.  

O presidente da Câmara Municipal de São Gonçalo, Alécio Breda Dias, o Lecinho (MDB), disse que “muito precoce” para apontar qualquer informação sobre o assassinato de seu colega de trabalho.

Foto: Saulo Andrade

“Isso é um dever da Polícia Civil. Tenho certeza de que ela vai encontrar os culpados por esse ato bárbaro”, ressaltou Lecinho, destacando ainda que assuntos como possíveis ameaças não eram conversados entre eles.

“A gente conversava sobre o sucesso, do momento que o município está vivendo, da felicidade do povo gonçalense.

Acredito que ninguém tenha sofrido ameaça. Acho muito pouco provável. Cici era um grande amigo, legislador, chefe de família. Um cara muito preocupado com São Gonçalo”, concluiu.

Horas antes à própria morte, na última terça-feira (7), o vereador Aldecyr Maldonado esteve numa ação política com o prefeito Nelson Ruas e o vice-governador Thiago Pampolha (União), acompanhando o programa “Limpa Rios” e visitando obras do programa Mobilidade Urbana Verde Integrada (MUVI), da prefeitura local.

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