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A memória de uma cidade
A memória de uma cidade
Foto do autor Célio Junger Vidaurre Célio Junger Vidaurre
Por: Célio Junger Vidaurre Data da Publicação: 04 de novembro de 2023FacebookTwitterInstagram
Foto: Reprodução

Começamos hoje a usar
esse espaço para, especificamente, falar sobre as personalidades que marcaram, por longos anos, suas participações na
vida niteroiense, quer na medicina, no direito, na educação,
nas artes e na política. De início, vamos trazer à baila figuras
exponenciais da medicina que
mostraram, nos seus tempos,
como eram humanistas e competentes. Como salvaram vidas, como trouxeram ao mundo niteroienses em larga escala, como levaram tantos a voltarem a enxergar e como tantos
debilitados para caminhar voltaram a ter vida normal, tudo
pelo talento profissional desses abnegados médicos que
homenagearemos aqui.
Neste mês de novembro
vamos focar nas figuras carismáticas dos Drs. Antônio Jorge Abunahman, Altamiro Vianna, Henri Curi e Carlos Tortelly
Rodrigues Costa. O Dr. Antônio Abunahman nasceu em
1913 em São Gonçalo e passou
toda sua infância em Cachoeiras de Macacu, pois, filho de
imigrantes libaneses, seu pai
sustentava sua enorme família
de esposa e treze filhos com o
comércio que tinha como atividade. Sua opção pela medicina
foi influenciada pela única referência médica com que contou na infância, Almir Madeira,
que era professor de pediatria
em Niterói. Durante o período
em que frequentou a Faculdade Fluminense de Medicina
(1931-1937) foi monitor de tisiologia em vários hospitais,
quando percebia que os doentes, na sua maioria, eram terminais e, aí, abraçou a causa.
Passou a transformar a espera da morte em esperança de
vida. No Brasil dos anos
1930 a tuberculose tinha se tornado uma doença que não escolhia a classe social: atingia toda a
população. O tuberculoso era socialmente um estigmatizado. O Dr.
Abunahman era um homem severo por fora e humanista por dentro. Enfrentou a resistência da tuberculose, como tisiologista, naqueles tempos difíceis da ditadura
de Vargas e, após a morte prematura de Noel Rosa, um estudante
de medicina que morreu em 1937
da doença e que era o maior compositor popular brasileiro.
Nada, absolutamente nada,
demoveu o Dr. Antônio Abunahman para desistir de seu intento.
Foi em frente com garra e sua juventude mesmo sabedor dos riscos que corria com uma doença
contagiosa. Tornou-se o médico
preferido da população, livrou
A MEMÓRIA DE UMA CIDADE A MEMÓRIA DE UMA CIDADE
muitos da doença, salvou vidas. Seu fichário chegou a conter 140 mil clientes de Niterói,
do Rio de Janeiro e até do interior do Estado. Era tão querido que muitos de seus alunos, depois de formados, encaminhavam pacientes para
seu consultório. Apesar de
uma vida profissional muito
intensa, dedicou-se também
à causa associativa. Foi presidente da Associação Médica Fluminense (AMF) e de
outros órgãos da classe
O trabalho desempenhado
com seriedade, persistência e
humanismo, avaliou a conduta
do profissional e tornou-se tão
conceituosa a família Abunahman que, em 1962, por ocasião
das eleições municipais em que
as candidaturas de Prefeito e
Vice eram desvinculadas, surgiu entre os dez pretendentes
ao cargo de vice a figura de
Emilio Abunahman, um dedicado funcionário da Secretária de Administração do Estado. Conclusão, Emilio, o irmão, foi eleito e, no ano seguinte, com o afastamento do
titular Sylvio Picanço pelos
militares, foi guindado como
Chefe do Executivo Municipal. Assumiu e foi mantido no
cargo até 1970 e ao sair não
se viu ninguém fazer qualquer
comentário negativo a sua administração. Os Abunahmans
viraram lenda na cidade.
As virtudes do Dr. Antônio Abunahman só tiveram o
seu valor reconhecido porque foram praticadas abertamente no dia a dia em seu
consultório, nas associações
que fazia parte ou por onde
circulava. Foi um ser humano útil, deu sentido à existência e contribuição para que o
mundo melhore um pouco
mais. Com a escolha que fez
e os riscos que passou a ter,
foi obrigado a se reinventar
todos os dias. Combateu o
efeito e foi eficiente, combateu a causa e foi eficaz.
Advogado
e cronista
político

A PERSEVERAÇA NÃO É SÓ UMA VIRTUDE NA VIDA DAQUELES
QUE SÃO VENCEDORES, MAS É TAMBÉM UM HÁBITO

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