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Trabalhistas celebram legado de Brizola, 20 anos após sua morte
Bravura do ex-governador é símbolo de resistência até hoje, contra retrocessos da política brasileira
Trabalhistas celebram legado de Brizola, 20 anos após sua morte
Foto do autor Saulo Andrade Saulo Andrade
Por: Saulo Andrade Data da Publicação: 21 de junho de 2024FacebookTwitterInstagram
Foto: Divulgação/PDT

Morto em 21 de junho de 2004, o legado e a memória do ex-governador e fundador do Partido Democrático Trabalhista, o PDT, Leonel de Moura Brizola, seguem vivos, 20 anos após a morte desta que é uma das figuras públicas mais importantes da história do Brasil.

Herdeiro político do Trabalhismo de Getúlio Vargas e João Goulart, Brizola nasceu em 22 de janeiro de 1922, em Cruzinha, na região de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.

Brizola com o líder sul-africano Nelson Mandela. Foto: Arquivo pessoal/Família Brizola/Agência Brasil 

Atuou como prefeito de Porto Alegre (1956-1958); foi deputado estadual - eleito em 1947 - e federal, em 1954; além de governador do Rio Grande do Sul (1959 – 1963) e do Rio de Janeiro (1983 -  1987 e 1991 - 1994).

Essencialmente democrata, resistiu a uma tentativa de golpe militar, em 1961, no que ficou celebrado na história como a “Campanha da Legalidade”, que permitiu a chegada de João Goulart, o Jango, à Presidência da República. Em agosto daquele ano, o então governador gaúcho correu para o porão do Palácio Piratini, para fazer um pronunciamento numa rádio, montada de improviso por sua equipe. “Hoje, nesta minha alocução, tenho os fatos mais graves a revelar. O Palácio Piratini, meus patrícios, está aqui transformado em uma cidadela que há de ser heroica (...)”, anunciou, evitando um golpe militar contra Jango - que se concretizaria três anos depois.

Miguel Arraes, Lula e Brizola, nas Diretas Já, em 1985. Foto: Arquivo pessoal/família Brizola/Agência Brasil

‘Faz muita falta’

Fundado em 1945, sob a liderança do ex-presidente Getúlio Vargas, do advogado, sociólogo e ex-senador Alberto Pasqualini, e de duas jovens e promissoras lideranças políticas da época - Jango e Brizola –, o Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, deu origem ao PDT, sigla criada pelo ex-governador, em 1980, quando o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, em março daquele ano, que o PTB pertencia à sobrinha de Getúlio, a ex-deputada Ivete Vargas.

Brizola com o arquiteto Oscar Niemeyer. Foto: Arquivo pessoal/Família Brizola/Agência Brasil 

O advogado e professor aposentado da UNIRIO, Vivaldo Barbosa, foi deputado federal constituinte e secretário de Justiça do governo de Leonel Brizola, no Rio. Ele sublinha que o legado de Brizola “é enorme, especialmente pela personalidade dele”. “Não tergiversava, nem se amedrontava. Era de uma coragem cívica muito grande. Uma figura como ele nos faz muita falta”, rememora Vivaldo, que também chegou a presidir o PDT. Dentre as lições legadas por Brizola, a principal, para Vivaldo, é a do trabalhismo:

“Ele incorporou todo o conteúdo da legislação trabalhista e do papel do Estado; e acrescentou a Educação, com os Cieps (Centro Integrado de Educação Pública), em torno do trabalhismo”. Além dos Cieps, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí também foi inaugurado no governo Brizola, no Rio.

De acordo com o secretário Municipal de Trabalho de Niterói, Brizola Neto, os trabalhadores vêm perdendo os direitos já consolidados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o legado de seu avô vem sendo "destruído pela precarização das condições de trabalho". "Pelas seguidas reformas trabalhistas, por todo esse processo de trabalho por aplicativos que vem retirando o direito dos trabalhadores, duramente conquistados durante a Era Vargas - e consolidados na CLT - e que foram a luta de uma vida inteira do Brizola", enalteceu.  

Para Brizola Neto, os Cieps - hoje "abandonados" - são "o maior programa de educação já experimentado no Brasil". "A gente vê aí o que os prédios resistem, mas o programa pedagógico concebido por Brizola e Darcy Ribeiro foi completamente esquecido”, lamentou.

O Brizola jornalista

Um dos autores da minuta do direito de resposta de Brizola ao ex-presidente da Rede Globo, Roberto Marinho, em 15 de março de 1994, o jornalista Osvaldo Maneschy foi subsecretário de Imprensa de Brizola. “Era um excelente chefe. Dominava como poucos a comunicação. Sabia da importância de manter as pessoas informadas e tinha orgulho de ser sócio da Associação Brasileira de Imprensa. Usava muito o rádio, no Rio Grande do Sul, e dominava as ferramentas de comunicação. Foi Brizola quem nos demandou para que nos aprofundássemos na Internet, quando ela começou. O PDT foi o primeiro partido político brasileiro a criar um site”, recorda-se.

Atos

Nesta sexta, um grupo de militantes e lideranças políticas se reuniram para homenagear Leonel Brizola, em São Borja (RS). Dentre eles, o ministro da Previdência Social e presidente nacional licenciado do PDT, Carlos Lupi.

Foto: Divulgação/Ascom/PDT Nacional

Lá, visitaram o cemitério municipal, para homenagear Brizola, Jango e Vargas, em seus respectivos túmulos. Com emocionados discursos, exaltaram o legado trabalhista - percebido até hoje, pelo trabalhador brasileiro - dos três quadros políticos.

Momentos históricos da vida de Brizola e do país terão destaque num documentário do cineasta Sílvio Tendler, que deve ser lançado no segundo semestre deste ano. 

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